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Esta
semana, a parashá é dupla: lemos duas parashiot
juntas. A primeira, Chukat, começa trazendo o assunto de Pará
Adumá, a Vaca Vermelha. Esta mitzvá é o exemplo
clássico das mitzvot, das quais nós não conseguimos
entender o motivo, mas que mesmo assim, somos obrigados a
cumprir, pois acreditamos que o Criador sabe o que é o melhor
para nós.
Em relação à mitzvá da Pará Adumá,
o próprio Rei Salomão – sábio dos sábios – declarou que, por
mais que ele tenha procurado bastante, não conseguira encontrar
uma lógica para o enigma que está por detrás desta mitzvá.
A tal vaca vermelha – que tinha que ser 100% vermelha – nunca
poderia ter feito qualquer tipo de trabalho ou ter o mínimo
defeito, era queimada. As suas cinzas misturadas com água e umas
ervas serviam para purificar uma pessoa que estava impura por
ter tocado em um morto. O cohen encarregado de purificar
as pessoas, tinha que sair fora do acampamento e aspergir esta
"poção" nas pessoas que estavam impuras, a fim de purificá-las.
Outra grande questão que está por trás deste
estranho preceito deriva do fato do cohen que era
responsável por purificar quem estava impuro, depois do processo
ele próprio se tornava impuro, necessitando passar por um
processo de purificação para poder voltar ao seu trabalho. Ou
seja, a mesma fórmula que era a única capaz de purificar as
pessoas que estavam no maior nível de impureza – uma vez que,
mais impuro do que alguém que toca em um morto, é somente o
próprio cadáver) – acabava impurificando o cohen que
administrava a fórmula aos outros para os purificar.
Certamente, o motivo está muito longe do nosso entendimento.
Porém, talvez possamos aprender daqui uma lição para nossas
vidas. O grande Maimônides em sua introdução ao Pirkei Avot
(A Ética dos Pais), conhecida como “Oito Capítulos”, nos ensina
qual caminho temos que abraçar para as nossas vidas.
O Rambam ensina que os extremos –
quaisquer que eles sejam – são sempre negativos. Por um lado, a
pessoa não pode ser avarenta, e por outro, ela não pode gastar e
doar todo o seu dinheiro para caridade. Ou, a pessoa não pode
ser nervosa, e também não pode ser completamente apática e não
demonstrar nunca qualquer sentimento. O mesmo vale para todas as
demais virtudes.
Se alguém é extremista de alguma medida, a forma
dele se curar é saltar para o outro extremo, até chegar num
equilíbrio e começar a avançar no caminho do meio, o caminho
ideal. Assim, o avarento, para chegar ao caminho ideal tem que
começar por dar o seu dinheiro de uma forma demasiada, até que
ele consiga chegar a uma harmonia de valores.
Podemos dizer que esta é a mensagem que a Torá
quer transmitir. O cohen que purifica as pessoas que
estavam impuras, chega a um nível tão extremo de pureza que,
para ele conseguir agora voltar à sua normalidade, a Torá tem
que considerá-lo como impuro (o extremo oposto). Só então ele
conseguirá voltar ao seu equilíbrio.
Que procuremos no nosso dia a dia ser pessoas
equilibradas, para conseguirmos fazer o bem aos outros e
atingirmos todo o nosso potencial.
Texto cedido pela Yeshivat haKotel
Shabat Shalom! |
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